André era uma pessoa um tanto diferente. Ele tinha uma estranha habilidade: conseguia “ver” o caráter das pessoas mesmo sem conhecê-las. Ele simplesmente olhava para elas e sabia qual a qualidade de seu caráter. O jovem rapaz tinha uma margem de acerto muito boa, errava em menos de 7% dos casos, o que fazia simpatizar-se com as poucas pessoas de bom caráter que havia no mundo. Ele odiava chegar perto de uma pessoa sem nenhum caráter, o que lhe fazia perder muitas oportunidades na sua vida. Ele, acima de tudo, odiava as pessoas com uma “personalidade perfeita”, como ele chamava as pessoas de tão bom caráter que não teriam coragem nem para contar uma mentira muito grande.
Esse ódio começou a se fortalecer e tomou parte de sua preocupação. Um certo dia André caminhava por parque totalmente deserto. Havia apenas um grupo de quatro pessoas – três rapazes e uma moça. Ele continuou andando e percebeu que um daqueles três homens tinha um dos piores caráteres que ele já tinha “visto”. Correu até o local onde se encontravam a jovem moça e eles. Estavam discutindo e a jovem estava desesperada. Perguntou se havia algum problema por ali. Um dos rapazes respondeu que não era de sua conta.
Como eram rapazes bem menores que ele, tinham, no máximo, 17 anos, André não se intimidou e deu um tapa de leve no ombro de um deles e disse que achava que tinha algum problema acontecendo.
Um dos rapazes, que não tinha um caráter muito ruim, tentou puxar seu amigo para irem embora sem arranjar confusões. O rapaz mau-caráter percebeu que seria uma péssima idéia continuar ali, e foi embora.
Logo que eles saíram, a moça começou a agradecer André. O que ele percebeu logo depois disso foi o caráter da moça – um dos melhores que ele já tinha visto. André não acreditava no que tinha acontecido: ele tinha acabado de ajudar um dos “caráter perfeitos” que ele tanto odiava. Estava furioso, e, num só golpe, nocauteou a garota.
Pouco depois estava arrastando o corpo inerte da bela moça. Arrastou-a para seu carro e levou-a para casa. Chegando em suas acomodações, André sedou a moça, fazendo-lhe parecer mais morta do que já estava. Cortou-lhe os longos cabelos loiros até a altura de suas sobrancelhas. Tinha acabado de acordar um psicopata que sempre estivera em seu subconsciente. Logo depois dos cabelos, cortou-lhe os pulsos e observou ela sangrar até morte.
Levou o corpo ao local onde a encontrou e começou a banhá-lo em álcool. Depois de a moça estar totalmente coberta de álcool, André revistou seu corpo morto e encontrou uma corrente prateada presa ao seu pulso. Tinha a letra C presa à ela. Ele pegou a pulseira e guardou-a para si. Acendeu um isqueiro e ateou fogo ao corpo. Já era tarde da noite, ninguém andava por ali aquela hora além de drogados. André teve a certeza de que não havia ninguém ali e voltou para casa. Limpou tudo e logo em seguida queimou tudo que estava sujo de sangue da moça.
Os próximos meses foram bem animados para o novo psicopata: matava praticamente em todas as semanas, não se esquecendo de nunca deixar nenhum tipo de indicio dos assassinatos. Sempre matava os que tinham o melhor caráter possível, nunca deixando-lhes uma oportunidade. André pegava algum pertence para lembrar de suas vítimas: primeiro a pulseira, depois os óculos de um deles, o relógio, um brinco, um anel, qualquer coisa.
Passado bastante tempo, André achava que já tinha matado gente de mais, e só as mais bondosas e justas, e ainda odiava esse tipo de gente. Resolveu se entregar para a polícia, já que não via mais toda a euforia de matar as pessoas de bem. Chegando à delegacia mais próxima encontrou uma policial – uma mulher bondosa, inteligente e, acima dessas qualidades, bonita. André sentiu alguma especie de repulsa ao vê-la, mas sentia também uma enorme atração por aquela doce mulher. Analizou-a, percebeu uma objeto consigo, não acreditava no que estava vendo. Tinha que ser justamente a pessoa pela qual ele se apaixonaria? Decidiu que a mataria. Voltou para casa e planejou tudo. Na noite daquele mesmo dia voltou para a delegacia e a chamou para resolver um confusão perto dali. Numa rua deserta, antes que a bela moça pudesse ver suas ações, André puxou uma arma e lhe deu um tiro certeiro no lado esquerdo de seu peito. Retirou uma aliança dourada de sua mão direita, colocou-a no bolso, segurou a mão do corpo da mulher e atirou em sua própria têmpora.
Jaziam dois corpos mortos no chão agora.
Y.F.
Nenhum comentário:
Postar um comentário