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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A-A Capítulo I, Parte IV

Depois de uns dez minutos caminhando, sendo os dois últimos totalmente silenciosos, Beto finalmente falou:
-Vamos lá, Andy, tou ficando entediado aqui, deixe-me fazer algumas perguntas, antes que eu morra de tédio...
-...
-Onde você mora?
-Você vai logo saber.
-Quanto tempo, mais ou menos?
-Só mais cinco ou dez minutos.
-Qual é o dia do seu aniversário?
-Pra que você quer saber? – perguntou ela, em tom de desafio.
-Você conhece o Improvável, então? – respondeu ele, aceitando a idéia.
-Eles já não são bem conhecidos?
-Você prefere quem?
-Você não acha o Elídio Sanna o melhor?
-Então, você gosta de homens com cabelos compridos? – perguntou ele, bincalhão.
-Você me ouviu falando isso? – disse ela, enrubescida. Realmente gostava de homens com cabelos compridos.
-Você vai ou não me dizer a data do seu aniversário?
-Você não me ouviu pedir um motivo? – perguntou ela, irônica.
-Isso não é o começo de uma amizade?
-Eu disse que queria ser sua amiga?
Andy continuara andar, mas só depois de dar uns três ou quatro passos que percebera que ele não estava mas ao seu lado.
-Beto, eu não quis...
-Okay,você não diria a data do seu aniversário pra um garoto estranho que você conheceu a menos de meia hora – falou ele, dramático. Depois de uns dois segundos de um silêncio constrangedor, ele acrescentou, sorrindo – Mesmo que ele tenha cabelos compridos.
-Então você percebeu? – perguntou ela, envergonhada e aliviada ao mesmo tempo.
-Andy, você ficou mais vermelha que um tomate. Eu não tinha certeza – disse ele, também enrubescendo.
-Então eu fui pega?
-Você não percebeu?
-Não, não perc...
-Ha!, perdeu.
-Qu... – falou ela, confusa. Depois de compreender ela disse – Aaah, droga, perdi – e soltou um sorriso acanhado.
-Ah, mas estamos quites, eu tinha perdido antes. Estamos empatados.
-Me desculpe por ter sido tão grossa, é que eu não sou acostumada em ficar fazendo amigos por aí, não tenho essa prática.
-Tudo bem, Andy, tudo bem... – ele disse sorrindo.
-Acho que a gente pode ser amigo, você é um cara legal – ela disse e enrubescera logo em seguida.
-Você também é uma garota muito legal, Andy, gostei de você – disse ele timidamente.
-Olha, chegamos, aqui é onde moro.
Eles pararam em frente a uma casa braca, com um portão gradeado também branco. Uma casa particurlamente grande, se comparada com a maioria das outras casas. Andy pegara a sua chave em sua mochila e abriu o portão, mas não entrou. Beto falou:
- Rua das Oliveiras, 1011. Não vou esquecer. E então, você está bem mesmo, né? Não te machuquei, não?
-Não, Beto, obrigada por se preocupar, só estou com um pouco de dor de cabeça pelo susto, mas estou estou bem.
-Então eu vou indo, parece que vai chover. A gente se vê – ele estendeu a mão para um cuprimento.
-Ok, a gente se vê – ela estendeu a mão para retibuir, mesmo sentindo uma imensa estranha vontade de abraçar aquele estranho de cabelos compridos.
-Tchau – disse ele. Virou-se para ir embora.
Andy atravessou o portão já aberto. Parou por um segundo, saiu na rua de novo e chamou:
-Beto... – ele virou-se e ela acrescentou sorrindo – Dia dez de maio.
Ele piscou o olho esquerdo pra ela e continuou a andar. Ela ainda permanecera ali, olhando ele ir embora, por uns dez segundos, quando finalmente entrou em casa.


Y.F.

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